No primeiro boletim divulgado em 2013, foi publicado um texto de padre Miguel, contendo uma reflexão sobre a adolescência nos dias atuais. Confira aqui o texto na íntegra:
Adolescentes e Jovens: Desafio e Oportunidades
Estou de volta após um longo processo de cura e reabilitação. O tempo passado num inverno rigoroso fez com que pudesse voltar com a cabeça fria, mas com o coração cheio de esperança. O calor de quase 30 graus sentido ao pisar no solo baiano causou um choque térmico muito forte. Foi uma diferença de mais de 25 graus a superar.
Não sei se esta experiência pode servir de motivação para introduzir o tema deste boletim informativo: o acompanhamento de adolescentes e jovens. Esses, de fato, vivem momentos e experiências muito diversificadas e, às vezes, conflituosas. Passam rapidamente de um sentimento para outro e levam uma vida marcada por choques e contrastes.
Já faz um bom tempo que no Conexão Vida nos confrontamos com o grande desafio de encontrar respostas para os anseios de nossos adolescentes e jovens. Faz parte do processo educativo cuidar da criança, acompanhá-la no seu crescimento como ser humano e não abandoná-la, especialmente na fase crítica da adolescência e da juventude, quando se operam transformações significativas nos âmbitos físico, psíquico, social e espiritual.
Pode ser que nos sintamos pouco preparados para este trabalho complexo e exigente. Mas não há por que desanimar ou desistir. Existem já várias experiências e trabalhos bem feitos que podem nos ajudar e estimular. A troca entre nós e com outros pode ser muito enriquecedora.
Vivemos em uma sociedade em que as gerações passam muito rápido. Os adolescentes e jovens não encontram mais uma cultura e um quadro de referências que os deixe tranquilos. Vivem agitados no ritmo dos novos meios de comunicação e redes sociais como Facebook, Twitter, Blogs e tantos outros que surgem a cada momento. Mais que em décadas anteriores, as mudanças são velozes e múltiplas. Também o processo de transmissão de valores mudou bastante. O que vale na atualidade é a própria experiência, a novidade, a sensação de prazer, a autovalorização. Especialmente em um mundo que atrai pelo estímulo ao consumismo e exclui quem não tem poder de compra e ostentação (como é o caso de muitos de nossos adolescentes e jovens), podemos buscar outras maneiras de valorização e de autoestima. Neste contexto, temos a oportunidade para estimular a participação ativa, a criatividade, a expressão dos sentimentos e a manifestação dos diversos talentos. É importante que eles se sintam valorizados e amados por nós e por Deus que é Amor.
A fase da adolescência e da juventude é uma fonte de descobertas que pode influenciar, de forma decisiva, a maneira de pensar sobre si, sobre o outro e acerca do próprio sentido da vida. Como educadores, podemos tentar abrir horizontes mais largos. Para tal, precisamos conhecer este mundo. Não é porque já fomos adolescentes e jovens que conhecemos a realidade que se põe atualmente, tão diferente do nosso tempo. Sem entrar no mundo deles vai ser muito difícil construir juntos um caminho de felicidade que possa atender aos seus anseios. Portanto, precisamos buscar uma relação de confiança que nos permita estabelecer uma comunicação dialogante, onde possamos aprender um do outro. A nossa experiência de vida e de valores pode contribuir se antes conseguimos conquistar sua confiança mostrando respeito e apreço pelo que eles mesmos experimentam e valorizam.
Partilhando estas poucas ideias, desejo a todos que a vida, brotando da energia abundante dos adolescentes e jovens, possa fecundar a nossa própria vida e traga um renovado entusiasmo no nosso trabalho junto deles.
Pe. Miguel Ramon